A Doença de Fabry é uma doença lisossômica* genética rara, multissistêmica, causada pela deficiência funcional de uma enzima chamada alfagalactosidase A. Essa deficiência, que se deve a variantes patogênicas no gene GLA, localizado no cromossomo X, leva ao acúmulo de globotriaosilceramida** (Gb3) nos lisossomos, desencadeando uma cascata de danos celulares em múltiplos órgãos.
A doença apresenta grande variabilidade clínica, desde formas graves de início infantil até apresentações tardias, predominantemente cardíacas.
* Lisossomos são pequenos compartimentos dentro das células responsáveis por degradar substâncias, reciclar componentes celulares, eliminar materiais tóxicos ou danificados. Eles funcionam como o sistema de limpeza e reciclagem da célula.
** Globotriaosilceramida, é um tipo de gordura complexa que faz parte natural das membranas das células do nosso corpo.
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Epidemiologia
- Prevalência média ao nascimento: aproximadamente 1/15.000
- A doença é subdiagnosticada, podendo ser mais frequente do que estimado.
- Herança: ligada ao X, podendo se manifestar tanto em homens quanto em mulheres, com gravidade variável.
- Idade de início: infância, adolescência ou idade adulta, dependendo da forma clínica.
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Sintomas e Manifestações Clínicas
A Doença de Fabry é multissistêmica, afetando pele, sistema nervoso, rins, coração, ouvido interno e sistema vascular.
- Manifestações neurológicas
- Dor crônica em queimação (acroparestesias)
- Crises episódicas de dor intensa
- Parestesias e dormência
- Zumbido e perda auditiva
- Acidentes isquêmicos transitórios e AVCs
A dor é um dos primeiros sintomas, geralmente com início na infância.
- Manifestações cutâneas
- Angioqueratomas (lesões vermelhoarroxeadas), especialmente em região inguinal, glútea e lombar
- Anidrose ou hipoidrose (redução ou ausência de suor), levando à intolerância ao calor e ao exercício
- Manifestações renais
- Proteinúria
- Doença renal crônica
- Evolução para insuficiência renal terminal em casos não tratados
- Manifestações cardíacas
- Hipertrofia ventricular esquerda
- Arritmias
- Insuficiência cardíaca
- Comprometimento predominante nas formas de início tardio
- Manifestações oculares e auditivas
- Depósitos corneanos
- Zumbido
- Perda auditiva neurossensorial ou condutiva
- Outros sintomas
- Fadiga
- Dispneia
- Intolerância ao calor
- Comprometimento cerebrovascular
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Diagnóstico
- Diagnóstico laboratorial
- Homens (hemizigotos):
- Deficiência enzimática acentuada de alfagalactosidase A confirma o diagnóstico.
- Mulheres (heterozigotas):
- A dosagem enzimática pode ser inconclusiva devido à inativação do X.
- Obrigatório o teste molecular (genotipagem do gene GLA).
- Diagnóstico diferencial
- Na infância: artrite reumatoide, “dores de crescimento”.
- Na vida adulta: esclerose múltipla, síndrome do intestino irritável.
- Diagnóstico prénatal
- Possível por análise de DNA em vilosidades coriônicas ou células amnióticas.
- Considerado principalmente em fetos masculinos, após determinação prévia do sexo fetal.
- Diagnóstico genético préimplantacional é possível.
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Tratamento e Manejo
- Terapias específicas
- Terapia de Reposição Enzimática (TRE) com alfagalactosidase A, disponível desde 2001.
- Metaanálises mostram resultados promissores a longo prazo.
- Chaperonas Farmacológicas (para variantes suscetíveis do gene GLA).
- Terapias em investigação:
- TRE derivada de plantas
- Terapia de redução de substrato (SRT)
- Terapia gênica com vetores virais adenoassociados
- Tratamento das complicações
- Controle da dor com analgésicos
- Nefroproteção (IECA ou BRA)
- Antiarrítmicos
- Marcapasso ou desfibrilador implantável quando necessário
- Diálise e transplante renal em casos avançados
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Prognóstico
Sem tratamento, ocorre progressão do dano tecidual, levando a:
- Falência renal
- Complicações cardiovasculares
- Complicações cerebrovasculares
A expectativa de vida é reduzida em homens e mulheres não tratados, em comparação com a população geral.
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Fontes
- https://www.orpha.net/pt/disease/detail/324 O que é a Doença de Fabry?
A Doença de Fabry é uma doença lisossômica* genética rara, multissistêmica, causada pela deficiência funcional de uma enzima chamada alfagalactosidase A. Essa deficiência, que se deve a variantes patogênicas no gene GLA, localizado no cromossomo X, leva ao acúmulo de globotriaosilceramida** (Gb3) nos lisossomos, desencadeando uma cascata de danos celulares em múltiplos órgãos.
A doença apresenta grande variabilidade clínica, desde formas graves de início infantil até apresentações tardias, predominantemente cardíacas.
* Lisossomos são pequenos compartimentos dentro das células responsáveis por degradar substâncias, reciclar componentes celulares, eliminar materiais tóxicos ou danificados. Eles funcionam como o sistema de limpeza e reciclagem da célula.
** Globotriaosilceramida, é um tipo de gordura complexa que faz parte natural das membranas das células do nosso corpo.
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Epidemiologia
- Prevalência média ao nascimento: aproximadamente 1/15.000
- A doença é subdiagnosticada, podendo ser mais frequente do que estimado.
- Herança: ligada ao X, podendo se manifestar tanto em homens quanto em mulheres, com gravidade variável.
- Idade de início: infância, adolescência ou idade adulta, dependendo da forma clínica.
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Sintomas e Manifestações Clínicas
A Doença de Fabry é multissistêmica, afetando pele, sistema nervoso, rins, coração, ouvido interno e sistema vascular.
- Manifestações neurológicas
- Dor crônica em queimação (acroparestesias)
- Crises episódicas de dor intensa
- Parestesias e dormência
- Zumbido e perda auditiva
- Acidentes isquêmicos transitórios e AVCs
A dor é um dos primeiros sintomas, geralmente com início na infância.
- Manifestações cutâneas
- Angioqueratomas (lesões vermelhoarroxeadas), especialmente em região inguinal, glútea e lombar
- Anidrose ou hipoidrose (redução ou ausência de suor), levando à intolerância ao calor e ao exercício
- Manifestações renais
- Proteinúria
- Doença renal crônica
- Evolução para insuficiência renal terminal em casos não tratados
- Manifestações cardíacas
- Hipertrofia ventricular esquerda
- Arritmias
- Insuficiência cardíaca
- Comprometimento predominante nas formas de início tardio
- Manifestações oculares e auditivas
- Depósitos corneanos
- Zumbido
- Perda auditiva neurossensorial ou condutiva
- Outros sintomas
- Fadiga
- Dispneia
- Intolerância ao calor
- Comprometimento cerebrovascular
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Diagnóstico
- Diagnóstico laboratorial
- Homens (hemizigotos):
- Deficiência enzimática acentuada de alfagalactosidase A confirma o diagnóstico.
- Mulheres (heterozigotas):
- A dosagem enzimática pode ser inconclusiva devido à inativação do X.
- Obrigatório o teste molecular (genotipagem do gene GLA).
- Diagnóstico diferencial
- Na infância: artrite reumatoide, “dores de crescimento”.
- Na vida adulta: esclerose múltipla, síndrome do intestino irritável.
- Diagnóstico prénatal
- Possível por análise de DNA em vilosidades coriônicas ou células amnióticas.
- Considerado principalmente em fetos masculinos, após determinação prévia do sexo fetal.
- Diagnóstico genético préimplantacional é possível.
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Tratamento e Manejo
- Terapias específicas
- Terapia de Reposição Enzimática (TRE) com alfagalactosidase A, disponível desde 2001.
- Metaanálises mostram resultados promissores a longo prazo.
- Chaperonas Farmacológicas (para variantes suscetíveis do gene GLA).
- Terapias em investigação:
- TRE derivada de plantas
- Terapia de redução de substrato (SRT)
- Terapia gênica com vetores virais adenoassociados
- Tratamento das complicações
- Controle da dor com analgésicos
- Nefroproteção (IECA ou BRA)
- Antiarrítmicos
- Marcapasso ou desfibrilador implantável quando necessário
- Diálise e transplante renal em casos avançados
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Prognóstico
Sem tratamento, ocorre progressão do dano tecidual, levando a:
- Falência renal
- Complicações cardiovasculares
- Complicações cerebrovasculares
A expectativa de vida é reduzida em homens e mulheres não tratados, em comparação com a população geral.
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Fontes
- https://www.orpha.net/pt/disease/detail/324

